sábado, 28 de novembro de 2009

And The Wish Come True! - D. Donson




Estou com fome. Acabo de chegar do meu treinamento e queria inicar o texto de uma maneira bem original. Mas nao vai acontecer, embora eu esteja muito inspirado. O teclado nao tem pontuacao. Que me perdoe os amantes do portugues, pois o portugues nao tem me ajudado muito aqui…rsrs. Cheguei em Atlanta, capital da Georgia, no domingo pela manha. Ainda naquele aeroporto, tivemos o primeiro contato com o pais. Fomos nas lojas, compramos postais, tudo lindo e novo. Cheguei a perder todos os meus documentos, passaporte, etc, no banheiro.




Mas eu havia feito amizade com o limpador, conversado sobre a Geogia e Ray Charles… ele salvou minha vida, pois deixou os documentos no balcao da Delta Airlines. Eu ia perder meu sonho e nem ia poder voltar para o Brazil. Pegamos a conexao e la de cima ja vimos Orlando, cheia de lagos, era um dia quente. Muitos lagos mesmo. Ja na Estrada, depois do aeroporto, comecamos a ver as primeiras casas. Tudo era lindo, como nos filmes. Grandes bosques, arvores silvestres e ate esquilos. Foi a melhor coisa ter vindo para ca. Parecia que eu tinha achado o que estava procurando, embora seja um choque saber que estou ha 8 mil quilometros de toda minha familia, da minha mae e irmazinha. Nao consigo pensar direito pois tem um monte de gringo falando ao mesmo tempo aqui no Clubhouse.




Nem consigo dar beleza ao texto, portanto o que escrevo e verdade pura. Bom, nao tive tempo para parar desde que cheguei. Sempre tem algo para ver. Os parques da Disney sao maravilhosos. Eu nunca nem liguei pra Disney, mas nunca pensei que fosse algo tao vasto e divertido. Temos quarto complexos principais: O Epcot, Hollywood Studios, Magic Kindom e Animal’s Kindom. Eu irei trabalhar no A. K., com Outdoor Foods. Hoje foi meu primeiro dia de treinamento. Todo dia vamos de onibus. Tudo e luxo aqui…rsrs. O onibus tem ar condiconado e partida eletetrica. Jovens do mundo todo pegam as mesmas conducoes.




Conheci um frances de Santrope hoje. Na volta do treinamento, conheci Emma, uma Americana que me deu carona ate o condominio que eu moro, o Chatham Square, que tambem e luxuoso e bem equipado…hehehe pscina, academia, etc, etc. A rua nao tem buracos, nem sujeira, nem papel. Tem sido um sonho. As vezes fico lost com o ingles de algumas pessoas, mas dai precisamos falar devagar para manter a conversa. Meu listening esta melhorando muito mesmo. E uma delicia se comunicar em outra lingua, eu adoro mesmo, cada nova palavra. Estamos euforicos, mas semana que vem comeca o trampo de verdade, teremos que SO falar ingles todo tempo. Na quinta-feira, tivemos um lindo jantar que reunir os Cast Members de todo mundo. Era o Thanks-giving Day, o feriado de acao de gracas. Comemos comida tipica, bebemos e rimos a mesa. Varias nacionalidades reunidas. Foi uma noite memoravel, incrivel mesmo.

Beijos e Grifes

Ontem eu fui para a Black Friday, um dia de queima de estoques total nos shoppings e comercio em geral. Fomos ao Premium Outlet, que reune dezenas de grifes. Eu ja estava sem grana, mas nao acreditei nos precos bizarros daqui. Normalmente, tudo e barato. Na Black, os descontos chegam a 70%. Comprei um moleton da Ecko por miseros U$ 20, enquanto no brasil estava R$300. Comprei um casado da Gap pela bagaleta de U$ 15, enquanto no Brasil custa pelo menos R$. Os meus amigos me explicaram que as coisas no brasil, tudo, chega a ter 800% a mais do valor do produto que sai daqui. E uma infamia a diferenca. Pretendo comprar muito por aqui…lol. Eu entrei na Diesel e pela primeira vez na vida sai com uma calca de la…hahahaha. Beijos e grifes.


Baladas

Orlando tambem tem muitas opcoes para a noite agitava e fria.Inclusive estamos sofrendo com o inverno atipico. Faz muito frio e eu comprei um toca polonesa super hype…rsrsrs. Temos muitas casas noturnas, de todos os tipos e generos como o House of Blues e o Buffalo’s. Nunca e monotona a noite, apesar de nao termos televisao. Nao consigo descrever mais as coisas porque estou com fome. Aqui a unica intemperie e a comida. Americano gosta mto de fast food. Tem comida congelada por um dolar no wal-mart. Quase sempre comemos michelinas, tudo feito no microondas. Mas ja fugi no assunto balada. Tenho Day Off na terca, pretendo ir ate Downtown Disney conhecer as boates. Depois conto como e e posto novas fotos. Saudades de casa, mas adorando explorer o mundo. E apenas comecamos.


Eu nao sou doido pela Disney. Doido e quem nao conhece…lol.

PS> Cruzeiro para as Bahamas surgindo, NY e mais que certo ja! Abracos!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Perdas e Ganhos de 2009 - Por D. Donson


“No novo tempo, apesar dos castigos/ Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos/ Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer/ No novo tempo, apesar dos perigos/ Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta/ Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver” – Ivan Lins, Novo Tempo

É bem como esta música que me sinto. Bem mais forte do que eu era há algum tempo atrás. Me sinto crescido, wiser, diferente. Estava tão cansado e, de repente, depois de tantos esforços integrados, paro e contabilizo: EU VENCI. Cheguei extamente aonde eu queria estar. Nunca senti nada semelhante, um sentimento de realização tão insuperável.

É como se valesse a pena ter dado todo esse duro sem certeza alguma de resultado. E somente eu sei o duro que eu dei. How long I have to climb. Agora, finalmente, depois de cinco anos, vou ultrapassar fronteiras geográficas e interiores também. Eu rompo com tantos “nãos” por meio desta viagem... Ela é a prova de que eu nao preciso provar nada pra ninguém.

Olhando para trás, vejo que 2009 foi o meu melhor ano, em todos os sentidos. Atingi tudo o que pretendia, pela primeira vez na vida. Hahahaha... estou só dizendo obrigado, como na Música (Caramba, como ouvi Thank U este ano). Obrigado aos amigos que tanto me ajudam, à família, obrigado Deus, obrigado adversidade, obrigado, obrigado desilusão amorosa, obrigado fracasso...hahaha. Estou rindo na cara do fracasso agora.

Hurul! É tão estranho quando você está tão empenhado em algo e não percebe que simplesmente conseguiu o que se queria. Nossa, é um alívio estranho...rs. Um alívio que diz: eu ainda tinha força...lol. Mas já podemos curtir, apenas começamos. O novo mundo começa agora... apenas começamos.



Contabilizando as perdas e ganhos:

Perdas:


- Um grande amor (?)
- Uma falsa amiga
- Curso de teatro
- Uma balada imperdível
- Uma calça diesel original (isso eu também conto...lokaaaa...rs)


Ganhos:


- Show da Alanis Morissette (God, como valeu)
- Concurso Videominuto (R$ 1000,00...rsrss)
- Curso de Francês
- Novos amigos
- Intercâmbio para EUA (Disney, Mimi, NY...)


Somando tudo, ah, to no saldo positivo, acredite...hehehehe. Daqui dois dias as coisas nunca mais voltarão a ser as mesmas: eu mesmo não voltarei do mesmo tamanho. Acompanhe minha viagem, toda quinta-feira prometo postar sobre a aventura.

Au revoir!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A Ousadia de Sonhar – Walter Elias Disney


E assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar...
Decidi não esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las.
Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução.
Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis.


Decidi ver cada noite como um mistério a resolver.
Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz.
Naquele dia descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de as superar.


Naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tivesse sido.
Deixei de me importar com quem ganha ou perde.
Agora me importa simplesmente saber melhor o que fazer.
Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir.


Aprendi que o melhor triunfo é poder chamar alguém de"amigo".
Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, "o amor é uma filosofia de vida". Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser uma tênue luz no presente.
Aprendi que de nada serve ser luz se não iluminar o caminho dos demais.


Naquele dia, decidi trocar tantas coisas...
Naquele dia, aprendi que os sonhos existem para tornar-se realidade.
E desde aquele dia já não durmo para descansar... simplesmente durmo para sonhar.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A Tréplica - Por D. Donson



Esta não é como uma carta qualquer. Esta carta eu escrevi para você, sem me importar com os possíveis leitores que, silenciosamente, podem estar atrás de uma tela qualquer. Trata-se da tréplica, com uns meses de atraso. Quando lhe enviei o cartão, nada pretendia a não ser deixar claro que te amo sem compromissos de te amar. Amanhã ou depois, de repente, num momento normalíssimo do cotidiano, já não te amo mais.

Às vezes acho piegas essa coisa de amor. Não amo com frequência não. Juro que você foi um caso a parte, é um caso pra mim? Não sei, sabe. Talvez eu seja tão neurótico e tenha uma série de pré-requisitos: inteligência (que seja acima da média), simpatia, beleza... talvez eu pesquise demais e faça muitos testes. Muitos são negativos.
Quem me ama, também dá negativo.

Por isso é que eu gosto mais é do imaterial peso do carinho por uma pessoa. Por exemplo, posso sentir carinho e gostar de várias pessoas, sem compromisso de amá-la. Pois amor da muito trabalho. É excruciante. É exaustivo. Exige atenção e cuidado. E tive bastante cuidado para não te odiar também.

Na verdade, eu até poderia. Mas preferi ficar com o que idealizei de você. Pois você não é tudo o que eu imaginava. No entanto, muita coisa é verdade. Seu cheiro é verdade. Sua voz também. Sua boca é verdade. SUA BOCA É UMA GRANDE VERDADE. De fato, acho que talvez a boca tenha pesado mais, não sei... E seu corpo é muito bem trabalhado, embora não seja o corpo mais bonito.

Entretanto, é o corpo que eu quero. E quero inteiro: com a alma dentro. Não sei como serei amanhã, sei que você não está feliz. Você não fala com freqüência. Juro que quando recebi sua carta – foi a primeira vez que você falou, foi libertador –, tive a nítida impressão que você estava me deixando de stand by para um futuro não muito distante. Eu também te deixei de stand by de certa forma. Porque eu, por mais insistente, tenho amor próprio e precisava fazer novos testes.

Tive alguns resultados regulares, outros satisfatórios, mas nenhum excelente. Hahaha to tentando usar linguagem matemática para ver se você entende sem precisar decodificar, embora amar seja um cálculo matemático errado. Soma de incompreensões e dúvidas. Você até gosta das entrelinhas, do que é implícito. Você, que já viajou o mundo e desconfia do mundo, não sei até quando estará por perto... Prometo guardar o postal de São Petesburgo, assim como a carta, pois trata-se de uma história. A minha.

Não poderia deixar de dizer como apreciei te ver de novo. Sentir seu cheiro. Gosto tanto do seu perfume que talvez nem seja perfume, mas o odor propriamente da pele. Do seu jeito de olhar que é sempre uma incógnita. Teve alguns segundos que não precisou de palavra, nem conversa. A gente só ficou se olhando, com quem compreende sem necessidade de fala. Pensei que era despedida.

Vejo que não era a final. Talvez você se supere se um dia chegar a me amar. Sei das suas limitações, das suas necessidades, dos seus gostos. Penso que sei. O que salva é que se for realmente como penso, dia ou outro você escapa e resolve viver algo real e legítimo. Embora isso, até hoje, não tenha eu vivido. Virá o dia em que poderemos nos reconhecer (ou conhecer), que romperemos com todos os “nãos” que existem em nós. Até lá, o caminho é caminhar.




Sincerelly,

05/11/2009

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Meditação Profunda - Por D. Donson


É uma verdadeira ofensa toda essa força de vida que tenho. Muitas vezes, desconheço a origem. Acho que vem de Deus. Estes dias vi uma borboleta azul. Lembrei do que me disse uma amiga e logo fiquei azul também. Todo feito de azul. Era um azul neutro, como quem não mais se preocupa com as adversidades anônimas e inerentes à uma vida tão cheia de mistérios como a minha.

É que não posso contar tudo. E ninguém nunca sabe de que negras raízes se alimenta a liberdade da pessoa que está na sua frente. Mas sou honesto e o meu jogo é limpo: só não conto os segredos de minha vida, os preços que muitas vezes temos que pagar silenciosamente e nem sequer podemos chorar. As perdas... Porque toda conquista resulta de muita, mas muita renúncia.

Juro que estou indo muito longe nesse jogo. Apostei toda minha fortuna e riqueza de coração. Hoje é um dia decisivo, com a cara em São Paulo novamente. Se eu passar no Cosulado, terei mais outros dias para vencer. É excitante cada nova jogada, é como brincar de vida e morte. E cada dia a mais que se vive, é um dia a mais que se rouba da morte. Percebe como somos obrigados a encarar tudo de frente?

Não volto neste blog tão cedo. Não tenho compromisso com ele. Só escrevo agora para comunicar algumas coisas para mim mesmo, apenas para não esquecer. Só escrevo rapidamente porque tenho cinco minutos de ócio e me veio uma súbita inspiração. Volto aqui apenas para somar as perdas e ganhos de 2009.

Só queria deixar claro que eu continuo no jogo, que desde que nasci já ocupo o meu lugar no espaço (como diz a física), que sempre estou aberto para conhecer novos espaços, experimentar novos *flavors, e assim fazer a grande roda gigante girar. Com muita ousadia e talento, porque é tudo que temos para não sermos arrastados. Nós, os que se recusam a desistir. Chorar? Jamais. Se for preciso, um dia a gente grita.


"Come and hear, all you who reverently and worshipfully fear God, and will declare what He has done for me". Psalm 66:16 (King james version).
*Sabores.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Never Stop To Climb


I can almost see it
That dream I'm dreaming but
There's a voice inside my head saying
You'll never reach it

Every step I'm taking
Every move I make
Feels lost with no direction
My faith is shaken

But I, I gotta keep trying
Gotta keep my head held high

There's always gonna be another mountain
I'm always gonna wanna make it move
Always gonna be an uphill battle
Sometimes I'm gonna have to lose


Ain't about how fast I get there
Ain't about what's waiting on the other side
It's the climb!


The struggles I'm facing
The chances I'm taking
Sometimes might knock me down
But no, I'm not breaking I may not know it

But these are the moments that

I'm gonna remember most, yeah
Just gotta keep going
and I, I gotta be strong
Just keep pushing on'Cause


There's always gonna be another mountain
I'm always gonna wanna make it move
Always gonna be an uphill battle

Sometimes I'm gonna have to lose
Ain't about how fast I get there
Ain't about what's waiting on the other side
It's the climb


Keep on moving
Keep climbing
Keep the faith
It's all about
It's all about the climb
Keep the faith
Keep your faith

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Vivendo, apesar de...


"Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que, insatisfeita, foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteiro, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso".



Aprendendo a Viver - Clarice Lispector.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Descaminhos do Tempo - Por D. Donson

Provavelmente, depois da Flórida, terei encontro marcado com NY. Hurul!
Sempre sonhei com o dia em que tudo seria renovado,
Quando do cansaço de uma vida anônima e pungente,
Meu corpo se levantaria jovem, com uma força insistente.
E não existiria começo ou fim. Nada estaria de fato acabado.

Sei que é ousadia minha apelar para o reino sagrado das palavras
Com o objetivo de revelar sentimentos tão secretos e ininteligíveis.
É como nunca se entregar, é como sempre abrir novas entradas
Para assim sentir uma vez mais o doce frisson das descobertas incríveis.

É uma verdade universalmente conhecida que o tempo nada perdoa.
Fugaz e taciturno, passado corroendo o futuro, parece nunca parar.
De repente estou com vinte, trinta, sessenta anos. Sem galardão, nem coroa.
O que eu pretendia? Ser tão inédito, tão pioneiro, novos mundos desbravar?

Moro em casa alugada. Há pé de goiaba no quintal. Às vezes chove.
Gosto de olhar o céu que precede a chuva, do azul celeste que me esvazia.
Coisa boa é não-ser, não-estar, não-pensar. Essa liberdade que envolve...
Que explica a felicidade pura dos idiotas – juro que era isso que eu queria.

Não há tempo, porém, para lamúrias. É dever meu ser dono de mim.
Mas faltam ao meu lado aqueles que amo. Pés descalços, sorrisos gratuitos,
Calçadas de pedra, ventos de outono, cabelos soltos.
Ser dono é sonhar, é perder para achar, o que é ser livre enfim?
Tenho medo do medo de estar sozinho no meio dos outros.

É setembro. O inverno se foi e estou pensando em migrar para o Norte.
Dizem que lá as pessoas são tão iguais que não me olhariam com estranheza.
Eu teria um cachorro, uma mulher e um Deus. Bem mais do que espero da sorte.
Este deslocamento não feriria tanto. Juro que seria simpático e rejeitaria a grandeza.

Porque, no fundo, o que a gente quer é algo tão mais corriqueiro e comum.
A dúvida é que é excruciante e me ultrapassa. Dela fujo para sobreviver.
O que se quer não é bem-querer, saúde, riqueza, poder? E todos somos um.
Incapazes de romper com os nãos, de aceitar o tempo que se vive,
De amar gratuitamente, de apreender o lado bom. Como entender?
*Escrito em 06 de setembro de 2009, às 11h44.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Eu - Florbela Espanca


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte


Sou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!


Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...


Sou a que chora sem saber por quê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Quase... - Luiz Fernando Veríssimo


Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.

A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance; para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.

Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Dia de Luz, Festa de Sol - Parte II - Por D. Donson


Processo de seleção



Prezado(a) Daniel Marcolino Pereira,


Parabéns!!!


Gostaríamos de informá-lo que foi selecionado para participar do Walt Disney World® International College Program 2009.


Em breve, você receberá uma ligação do Staff do STB, com todos os detalhes sobre os próximos passos. Por favor, espere pela ligação, pois entraremos em contato com todos os candidatos selecionados.

Para que possamos manter os seus dados atualizados, preencha ou confira os campos abaixo:
Continue acessando a área de selecionados com freqüência, pois em breve, a mesma será atualizada com as informações sobre o cadastro no site do Consulado Americano e também sobre a documentação necessária para obtenção do visto.


Atenciosamente,

Disney Division STB - Student Travel Bureau




Para comemorar, vamos colocar a música tema. Lembrando que eu não saio dos EUA sem conhecer a Flórida inteira, Las Vegas e Nova York! :) Hurul, toca Thank U! :) Obrigado a todos os meus grandes amigos, aos meus colegas de trabalho e de rua, aos meus familiares e professores, às pessoas que me rodeiam e que eu amo mesmo, aquelas que acreditam em mim e que constantemente me incentivaram.
Me deram força para alcançar esta grande conquista. Agradeço também à todos que me fecham a porta ou me desprezam porque, sem estes, eu jamais poderia me superar diariamente. Isso tem um sabor ainda mais especial para quem luta e sabe o preço e os juros. Thanks for rooting!




Thank U
Alanis Morissette
Composição: Alanis Morisette / Glen Ballard


How 'bout getting off of these antibiotics?
How 'bout stopping eating when I'm full up?
How 'bout them transparent dangling carrots?
How 'bout that ever elusive kudo?

Thank you, India
Thank you, terror
Thank you, disillusionment
Thank you, frailty
Thank you, consequence
Thank you, thank you, silence

How 'bout me not blaming you for everything?
How 'bout me enjoying in a moment for once?
How 'bout how good it feels to finally forgive you?
How 'bout grieving it all one at a time?

Thank you, India
Thank you, terror
Thank you, disillusionment
Thank you, frailty
Thank you, consequence
Thank you, thank, you silence

The moment I let go of it was
The moment I got more than I could handle
The moment I jumped off of it was
The moment I touched down

How 'bout no longer being masochistic?
How 'bout remembering your divinity?
How 'bout unabashedly bawling your eyes out?
How 'bout not equating death with stopping?

Thank you, India
Thank you, providence
Thank you, disillusionment
Thank you, nothingness
Thank you, clarityThank you, thank you, silence

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Não Te Amo Mais - Clarice Lispector


Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...




*A leitura é feita de ordem inversa, ou seja, de baixo para cima - ocorre duas interpretações distintas conforme o fluxo da leitura. Eu estou na sua, Clarice.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A Jornada Continua... Por D. Donson


"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Amyr Klink


Sempre quando viajo, tenho plena certeza de que aprenderei muitas coisas. Toda viagem nos alarga, nos expande de alguma maneira. Seja para São Paulo, para o sertão da Paraíba, para a Polinésia Francesa ou para o mundo em geral. Estou tentando, atualmente, viajar para a Disney, em Orlando. E até lá há uma longa estrada.

Fui para São Paulo na última quarta-feira (2), no último ônibus do terminal. Um terminal é algo mágico, sabia? É o único não-lugar do mundo. Não-lugar porque ali não pertence a ninguém. Todos estão de passagem, chegando, saindo, cada qual com seu destino. Ou sem ele. Num terminal é possível se achar de tudo: de drogados, a pregadores da palavra de Deus.

Foi assim que, enquanto imaginava que ia descansar para a viagem, ouvindo de leve Safe Trip Home (Dido), três mulheres negras de roupas muito coloridas sentaram na minha frente. Logo estranhei porque o perfume delas era algo extremamente estranho, era agridoce – parecia incenso. Usavam lenços na cabeça e roupas de oncinha.

De repente, elas começaram a falar um dialeto. Meu, que da hora! De onde será que elas eram? Depois, uma delas falou algo em inglês, ai eu não agüentei. “Where R U from”? elas ficaram doidas quando eu falei com elas. Virou quase um culto evangélico. Imagino que há dias elas não falavam com ninguém além delas mesmas...ahahah. Então, viemos conversando.

Lola, Katie, Rebeca e eu. Como era a vida na Nigéria, como vieram parar no Brasil, etc, etc, etc. Dentro do ônibus, contando que eu ia para São Paulo ser entrevistado pra Disney, não é que aparece uma candidata? Estava vindo de Limeira, Luciana, aí o resto da viagem foi trocando figurinha com ela. Cheguei, dormi em hotel, acordei às 4h30 e me arrumei.
Quando saí para rua, com o papel do Google Maps indicando passo a passo o caminho, tive um mal pressentimento. É que havia dezenas de malandros na rua, eu de social, com mochila que tinha coisas dentro. “Vou ser assaltado igual ao Cris do seriado”. Já estava me preparando para entregar tudo porque, coitado, eles precisam mais do que eu (Ahhhh tá) quando, do nada, aparece um táxi. “Onde ce vai, amigo?”, disse seu Renato, velho malandro, sovina e charlatão.

“To indo para Faria Lima”. Ele me disse que ficaria baratin, baratin me levar lá (Ahhhh tá). Pelo sim, pelo não, preferi pagar a ele que aos colegas da praça. O seu Renato me engabelou. Só porque somos do interior, pensam que a gente é besta. A corrida, no taxímetro, ficou 56,09 reais. Pois assim, de cabeça, ele refez a conta e disse que dava 79,85, já que ele havia esquecido de colocar bandeira dois.
Velho safado. O que conta é o que está escrito. Ele levou todo meu dinheiro. Eu teria que ir no Banco, mas aonde achar? E para sacar dinheiro, além da senha de número, tem a de letrinhas e esta última eu nunca lembro. Tudo bem. Cheguei no hotel (bem suntuoso) e esperei bastante, até que chegou a segunda alma (Débora) e a terceira (Boi) para ajudar o tempo a passar.

Depois chegou minha grande partner (Bárbara) e aí, do nada, um exército de candidatos se apresentou. Gente bonita e bem vestida. Muitos colocando o pé pro outro tropeçar (brincadeira..rs). E foi assim: a palestra foi ótima, a entrevista surpreendente. Eu falei tudo o que pretendia e um pouco mais. A Bárbara também. Demos respostas boas; tentando sair do senso-comum. Parceria total! Ele curtiu a gente porque a conversa rolou solta uns trinta minutos.

Com sorriso na orelha, fomos embora. Eu fui com a galera da comu (Sir Terra, Sadia, Ana Paula, Júlia (prodígio) etc, etc, etc) comer. E foi um dia bom. Ainda mais porque eu não precisei achar banco (paguei o lanche da galera no cartão e eles deram a grana para mim). Ainda mais porque economizei pegando carona com o Boi até Campinas. Ainda mais porque eu tenho certeza que fiz meu melhor e mais um pouco. Foi a mesma sensação de quando a gente estreou “O Espantalho” aqui na cidade. Eu era o Espantalho na peça...heuhsuheushues.

E essa foi a minha aventura até aqui. Não deu para ver a Joyce e o André, amigos que há muito quero conhecer. Meu celular ficou off. Enfim. Sei que muitas outras coisas vão acontecer. Mas estou muito contente e tranquilo. A jornada está só começando. A jornada é o caminho.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Utopia – Alanis Morissette


Composição: Alanis Morissette, em homenagem às vitimas do 11 de setembro
Disco: Under Rug Swept (2003)




Juntaríamos-nos todos em uma sala / We'd gather around all in a room
Afrouxaríamos nossos cintos / Fasten our belts engage in
Conversaríamos / Dialogue
Todos relaxariam / We'd all slow down
Descansaríamos sem culpa / Rest without guilt
Não mentir sem medo / Not lie without fear
Discordar sem julgamento / Disagree sans judgement

Nós ficaríamos / We would stay
E responderíamos / And respond
E expandiríamos / And expand
E incluiríamos /And include
E permitiríamos /And allow
E perdoaríamos /And forgive
E aproveitaríamos /And enjoy
E envolveríamos / And evolve
E discerniríamos /And discern
E inquiriríamos /And inquire
E aceitaríamos /And accept
E admitiríamos /And admit
E divulgaríamos / And divulge
E abriríamos /And open
E alcançaríamos / And reach out
E falaríamos /And speak up

Essa é Utopia, essa é minha Utopia. / This is utopia this is my utopia
Esse é meu ideal meu “in sight” final. / This is my ideal my end in sight
Utopia, essa é minha Utopia. / Utopia this is my utopia
Esse é meu nirvana./ This is my nirvana
Meu ultimato./ My ultimate

Abriríamos nossos braços / We'd open our arms
Nós todos pularíamos, nos deixaríamos cair / We'd all jump in we'd all coast down
Nas redes de segurança / Into safety nets

Nós dividiríamos / We would share
E ouviríamos / And listen
E apoiaríamos / And support
E acolheríamos / And welcome
Seriamos arrastados pela paixão / Be propelled by passion
Não investiríamos em resultados / Not invest in outcomes
Nós respiraríamos / We would breathe
E seriamos encantadores / And be charmed
E apreciaríamos a diferença / And amused by difference
Seriamos gentis / Be gentle
E aceitaríamos todas as emoções. / And make room for every emotion

Nós providenciaríamos discussões / We'd provide forums
Todos falaríamos / We'd all speak out
E todos seriamos ouvidos/ We'd all be heard
E nos sentiríamos notados. / We'd all feel seen

Nós levantaríamos após os obstáculos / We'd rise post-obstacle
mais definidos / More defined
mais gratos / More grateful
Nós nos curaríamos / We would heal
Seriamos humildes / Be humbled
E nada poderia nos parar / And be unstoppable
Seguraríamos forte / We'd hold close
E deixaríamos ir / And let go
E saberíamos quando fazer o que / And know when to do which
Nós libertaríamos / We'd release
E desarmaríamos / And disarm
E suportaríamos / And stand up
E sentiríamos seguros / And feel safe

Essa é Utopia, essa é minha Utopia. / This is utopia this is my utopia
Esse é meu ideal meu “in sight” final. / This is my ideal my end in sight
Utopia, essa é minha Utopia. / Utopia this is my utopia
Esse é meu nirvana./ This is my nirvana


Meu ultimato./ My ultimate

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Carta Para a Única Sóbria do Ex-grupo - D. Donson


Só estou escrevendo para que eu possa esquecer o assunto. É, porque para mim também é importante falar. E também porque você é a pessoa que eu mais julgava sensata do grupo. O que ocorreu ontem, de modo nenhum me impressionou, embora eu tenha ficado chateado. Mas era de se esperar, era previsível. Jamais me faria de vítima, no entanto, neste caso, foi meio que injustiça.



Primeiro, porque meu desempenho no grupo foi igual ou melhor do que alguns integrantes falantes. Sempre falantes, sempre querendo demonstrar criticidade nos assuntos, mas quando é para trabalhar mesmo sempre procuram alguém ou alguma coisa que justifique a nota, ou as incompetências. Nada que possa comprometer a foto no final de tudo, porque, é fundamental mostrar ao mundo cada trabalhinho das crianças - recordação.



Segundo, achei, de modo geral, muito esclarecedora a atitude do grupo. Quando falo “grupo” estou sendo generoso e singelo. É que tem gente extremamente submissa que não se importa em trabalhar às sombras dos “líderes”, dos pretensos “jornalistas”, dos seres excepcionais que nasceram para brilhar. Talvez meu problema tenha sido este, não é? fui subversivo e acabei questionado demais.



E continuaria a questionar se continuasse. Não que eu seja um exímio profissional, tenho minhas falhas. Mas porque tenho plena consciência de que ninguém é melhor que ninguém. E, que, potencialmente, todos somos iguais. E eu é que sou antiprofissional? Ser excluído para não haver futuras discussões? Cadê os grilhões, a máscara de ferro?



Contudo, juro que estou bem mais aliviado em relação a algumas pessoas que tenho que conviver nesta graduação. Me considero mais maduro e muito mais apto para discordar. O bom do universo é que aquele papel, o diploma, não significa absolutamente nada, muito menos agora, não é? O bom do universo é que o mercado seleciona, como ouvi alguém dizer. E graças a Deus, já estou nesse mercado desde o primeiro mês que entrei neste curso.



Sintomático, não? Alguma capacitação e habilidade devo ter. Mas sabe, Lílian, continuo admirando seu talento e sua especial habilidade para lidar com pessoas. Eu me considero paciente, mas você me supera, indubitavelmente. Afinal, suportar uma conversa em que a pessoa fala apenas dela mesma é sempre um teste de nervos. De cada dez palavras, nove são sobre ela e a outra sobre algum evento da vida DELA. Esta jamais diz “como vai?”...hahaha. Desprezível. Falta alguma coisa essencial, falta uma certa sensibilidade que, thank God, não sou eu quem vai ensinar. A vida educa, thank God!



Acho que eles pensam que o mundo gira em torno deles. Que é o mundo precisa mudar e não eles. Que as pessoas são inadequadas ou displicentes e não correspondem ao nível deles. Eu rio disso. Especialmente destes que se acham a bolacha última do pacote, (inquisidores de professores), mas que quando escrevem demonstram tão pouco apreço ou intimidade pela língua. Eu adoro línguas, acho que elas abrem porta para evoluirmos enquanto pessoa – cidadania do mundo, sabe. E não existem sinônimos, cada palavra tem um significado único. Por isso estou sendo cuidadoso e selecionado aqueles que acho que remetem à semântica do meu pensamento.



Eu já li textos da menina e do menino. A menina tenta articular, mas peca muito na gramática. Fala muito de si mesma, como era de se esperar. As pessoas ridicularizam. Falta talvez um pouco de literatura universal, indicaria Franz Kafka. Porque se você produz algo que todos produzem, a oferta é maior do que a demanda e aí a volatilidade do mercado fala mais alto.



Já o menino é realmente amador. É arrogante tanto quanto e, por vezes, tenta mostrar humildade franciscana. Eu sou arrogante com gente arrogante. Eu só sou culpado por dar feed backs à altura. Mas o menino, tão cheio de opiniões, precisa de um reforço escolar, uma alfabetização de maior qualidade. É uma defasagem de anos, difícil querer ser bom do dia para noite. Experiência que quem já passou alguma dificuldade na vida e que só se apegou à escola e aos professores por não querer ficar em casa devido a abusos.



Não pense, porém, que pretendo com este e-mail me autoafirmar, ou ostentar qualquer coisa, ou me fazer de vítima. Eu só não poderia ficar quieto frente a uma atitude tão pueril e tão arbitrária quanto essa. Para o aspirante nível universitário que observo, tenho medo do futuro do Brasil. Gente que só pensa no seu nariz – medo. Olha que ontem eu falava com God e perguntava a melhor forma de me comportar em face da mediocridade de algumas pessoas.



Ele me disse, quase que pessoalmente, que eu deveria anotar o nome deles no meu caderninho do esquecimento. Disse ainda que seria salutar não me formar com eles, já que depois eu nunca mais veria se quer um virtual ‘como vai’. Disse ainda que era fundamental seguir meu caminho, em detrimento das adversidades e tentar tirar notas bem altas. Disse também que já conheci pessoas bem piores e que atitudes como esta, para eles, é natural.



É difícil se observar, pensar sobre si. É quase um dom. Portanto, não posso cobrar nada se o que eu vejo quase ninguém vê. Cansei de escrever e é inútil delongar. A melhor resposta não sou eu quem vai dar. Só escrevi para não esquecer de nada e sustento tudo isso. Thank God porque outros outubros virão, outras manhãs, plenas de sol e de luz. Estou ansioso por um tempo melhor do que o presente, onde as pessoas sejam pouco mais transparentes, mais solícitas, mais unidas. E amizade seja coisa mais comum de se achar.



P.S. não esquecer de tirar fotos nos próximos trabalhos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Perseguindo A Vida...



Sobretudo um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento. Eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia, a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas, água pura submergindo a dúvida, a consciência.


Eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro! O que eu disser soará fatal e inteiro.


Não haverá nenhum espaço dentro de mim para eu saber que existe o tempo, os homens, as dimensões, não haverá nenhum espaço dentro de mim para notar sequer que estarei criando instante por instante, não instante por instante; sempre fundido, porque então viverei, só então serei maior que na infância, serei brutal e mal feita como uma pedra, serei leve e vaga como o que se sente e não se entende, me ultrapassarei em ondas.


Ah, Deus, e que tudo venha e caia sobre mim, até a compreensão de mim mesma em certos momentos brancos porque basta me cumprir e então nada impedirá o meu caminho até a morte sem medo. E de qualquer luta ou descanso me levantarei forte e bela como um cavalo novo.



Perto do Coração Selvagem (Clarice Lispector - 1946)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Trem Para as Estrelas - Por D. Donson



Hoje pego o trem, hoje pego o trem
Não avisarei a ninguém, de malas prontas partirei.
Eu já estou com o pé na estrada, finalmente serei Requiem
Não sei se o que falo é o que sou, mas meu nome... Este guardarei.

Ouvi, relva do campo, ouvi, acordes do vento!
Estou voltando, estou chegando ao orgânico alento.
O rosto queimado, o suor e a fatiga
Quero um canto de paz, sem vozes atrozes,
Sem rimas antinas.

Hoje pego o trem, hoje pego trem
Estou fugindo da terra dos homens, da força gravitacional.
Cansei da limitação dos que não voam, do real - saberei o que há em Marte
Sou metafísico, imaterial, sou Hembrandt, sou Arte.

Ouvi seres gritantes, ouvi o brado dos bons!
Não estamos em paz com esta nova guerra
Que se dá no recôndito dos corações,
No foro íntimo da humanidade.

Lutamos por um novo tempo, aniquilaremos a passividade
O que importa deveras é recomeçar e construir novas edificações.
Ouvi guerreiros ardis, logo vem o trem para as estrelas
Do alto da serra, levando os feridos desta nova guerra.

E a reticente primavera breve será cortada
Mas voltará mais forte e bela ano que vem
Se a geração que ora alvorece continuar atada
Desaparecerá com a seca, não alcançará o trem...

Sou um andarilho divagante, um réu de meus ideais.
Vivo cada instante esperando um trem – o trem da salvação
Há tanto que já me perdi, temo em encontrar-me tarde demais,
E receber como pagamento, a grande medida do silêncio e da solidão.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Carta Para Minha Amiga Secreta - Por D. Donson


Querida S.E.A.,

A vida por aqui tem sido razoável. Você sabe que, embora tenhamos ocasião para nos falar pessoalmente, sempre fica faltando algo a ser dito. Nossas conversas vão bem além do cotidiano. Nossas conversas tratam de vida e de universo. Eu adoro nossas conversas! Quão vasto é o mundo e muitas vezes as pessoas apegam-se apenas ao lado superficial das coisas. E as pessoas, as pessoas andam tão confusas que parece um desafio até mesmo existencial viver em sociedade.

Querida S.E.A., não pretendo com esta carta dizer nada que faça muito sentido. Pelo contrário, apoiando-me nessa falta de nexo e de compreensão que muito me envolve é que decidi te escrever. E também não pretendo provar nada. Não quero assumir uma postura, você sabe. Me recuso a fazer uma escolha, não agora. Na verdade, no fundo a gente só está querendo provar para todos que não precisamos provar nada pra ninguém, não é? O que a gente quer é desabrochar de uma forma ou de outra.

Você sabe, S.E.A., abrir os olhos para o mundo é coisa vital para nós. Eu não suportaria nunca ser preso ou viver todos os meus dias neste mesmo lugar. Não que eu não ame as minhas raízes, não que eu não valorize cada centímetro destas paredes. Mas às vezes precisamos migrar, precisamos do calor de outros campos, precisamos do cheiro de terra fresca, precisamos do perigo que nos oferecem os nossos predadores. Porque sem eles, os predadores, jamais conheceríamos o tamanho e a extensão de nossas forças.


Sim, minha cara. Você, mais do que ninguém, sabe que o que eu falo não é o que eu falo e, sim, outra coisa. E estas palavras, na verdade, escondem outras. Mas você sempre foi boa e sensível para ler as entrelinhas, por isso, não me preocupo com outros possíveis leitores que eu jamais poderei supor. Eu realmente não sei porque, S.E.A., às vezes o que vemos quase ninguém vê. É sempre um jogo tão duro. É como estar ilhado, é como sentir solidão no meio dos outros, não é? Mas também não procuramos ninguém igual a nós. Estamos sendo tão tolerantes e tão compreensivos que até parecemos ingênuos embevecidos pelo delicado gosto da descoberta.

Eles confundem nossa tolerância. Confundem nossa simpatia com ingenuidade. Daí, quando mostramos que somos pensantes e, com ou sem humildade, cheio de opiniões, eles se assustam. Não sei porque escrevo. Acho que sobrei nesta noite e, pelo menos nesta noite, não há lugar confortável para mim. Mas olha, tenho andado com fé, viu? Os dias estão muito estranhos, tem noites que não durmo bem. Sinto gosto de uma nostalgia na boca, como saudade daquilo que a gente não viveu. É como se eu fosse bem mais velho. Tenho apenas 20, mas estou assustado. “Ontem de manhã, quando acordei, olhei para vida e me assustei: eu tenho mais de 20 anos”. Hehehe.

Ainda assim tenho andado com fé, como você me recomendou. Acho que é esse fogo, esta utopia, este total desprendimento que sinto pela idéia do fracasso que me motiva. Eu sinto que não seremos derrotados, tampouco irão abarcar nossas ideias. Sinto que não somos do tipo que se adequa ou se acomoda com o tempo. S.E.A., somos imparáveis! E é isso que vamos levar, ou que vai nos levar sempre adiante. A resposta é e sempre foi o nosso caminho. Continuemos, pois, a olhar para frente, para a natureza que sempre envia consolo, para Deus que nos dá esperança, para o outro que é fundamental para nos suportamos e, sobretudo, para nós. Tudo depende de nós. Andando com esta fé que jamais costuma “faiá”!!! De qualquer luta ou descanso, nos levantaremos fortes, ávidos, obstinados e belos como cavalos novos.


Cheers,

Dani


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Acerca da vida plena


"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta do passado, que o que mais queremos é sair do sonho e voltar no tempo. Sonho com aquilo que quero. Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer aquilo que quero. Tenho felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. E a vida não é de se brincar porque em um belo dia se morre”.

Clarice Lispector – do livro A Descoberta do Mundo
Foto: Célie e Natie, do filme A Cor Púrpura

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Dia de luz, festa de sol! Por D. Donson


Eu despertei na manhã do dia 30 com o coração muito do alegre. A música que vinha na minha cabeça, se não me engano, era Thank U, da Alanis. Esta música acabou se tornando trilha para o momento que estou vivendo. Momento de busca, de retomada de planos antigos, bem antigos, mas que tornaram a pegar fogo. It burns, you know?

Juro que dentro de mim eu tinha uma certeza indescritível de que tinha passado na entrevista para o ICP da Disney. Certeza + falta de provas: Fé. Fui exultante para o estágio. Olhei o céu, cantei bastante. As pessoas pensam que sou louco só porque não sou tímido. Eu não canto tão alto em público, canto para mim. Elas se escandalizam, mas eu nem ligo...hahaha. Cheguei ao centro da cidade, olhei o céu, o sol e a natureza: era um dia importante e aguardado.

Entrei dentro de uma grande Igreja Católica (mesmo sendo protestante rah!) e disse (não para aquela imagem que vi, mas para algo além do teto): “Sir, you know how long I´ve been waiting for this momento. Give me what I´ve been looking forward. Make it come true, mr. Jesus, and I´m sure I´ll be a good boy (olha a barganha)...hahaha. I know that´s finally my turn. I´m wiser now, I´m not so foolish as I used to be. So, make it come true!”.

Maduro o suficiente para não chorar caso eu não passasse, cheguei no prédio em que trabalho. Estava sem net em casa estes dias. Liguei o computador. Entrei no site. Digitei meus dados. Fiquei pensando por cerca de 5 segundos antes de apertar o enter. Como eu imaginava, eu tinha passado!!! E foi muito bom. Você pode imaginar o que é a expectativa de realizar um sonho com mais de 5 anos de atraso.

Agora, falta a fase final. E estou ficando muito do esperto, lendo tudo o que posso, munindo me de informações que vão me ajudar a passar. Se eu puder mostrar a eles quem eu sou e o quão isso será importante para mim, sei que serei aprovado. Não sei onde tudo isso vai me levar, mas irei até o fim! E se eu errar, se eu falhar, prometo começar tudo de novo – incansável, ‘unstoppable’ e indesistível.

É isso aí. Tudo tá valendo muito a pena. Só o estado de espírito em que a gente é colocado já vale a pena. Isso é só o começo, keep in touch!! :D

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A Jornada É O Caminho


“Life´s like a box of chocolates; you never know what going to get” – Forrest Gump.


Esta frase clássica que jamais esqueci do livro de Winston Groom é a mais apropriada para descrever este momento. É incrível esta capacidade que os seres humanos possuem de rapidamente criar novos sonhos que motivem suas vidas. Comigo é assim. Costumo dizer que meu caminho é caminho e não destino propriamente.

Foi assim que, em um momento normalíssimo do cotidiano, fazendo pesquisas rotineiras por work and travel, me cadastrei no site do STB. Eu realmente achei os preços elevados demais e continuei minha pesquisa. Até que de repente, não mais que de repente, eu abro minha caixa de e-mail e vejo o convite para trabalhar na Disney.

Eu nunca desejei obstinadamente conhecer a Disney. Sempre achei um templo do consumo. Assim como, a princípio, eu posso parecer muito mais idiota do que realmente sou, eu encarava a Disney como um destino turístico igual a qualquer outro. Não sabia, porém, do caráter até mesmo altruísta da Diney. Não sabia que era possível se vender sonhos.

Ora, compram-se tantas coisas... que mal há em comprar sonhos? Humildemente comecei a me despojar dos preconceitos sobre a Disney. É que estou numa profissão muito ludibriadora, além de mal paga. Quase todos se tornam um pouco pretensos a intelectuais depois de estudar um pouco a escola de Frankfurt e a Teoria da Comunicação (heushuehuse).

Alegria, às vezes, é coisa séria. Comecei a conhecer a fundo o valor desmesurado que a Disney dá aos seus Guests, a forma como ela planta sonhos e o modo como administra esse imaginário – sobretudo nas crianças – há tantos anos. Posso dizer que sou um Disney Freak recém nascido. E que, mesmo que não seja desta vez – o que, acredite, estou muito certo que será – eu tratarei de visitar a Disney de alguma forma.

E isso tem permeado meus pensamentos...hahahaha. No estágio, na academia, na faculdade, na hora de dormir... pasme. Mas sempre faço um pouco de meditação porque a gente pode escolher no que pensar. Fiz a entrevista com o STB no último dia 27. Fui o primeiro a ser entrevistado. Eu e a Bárbara Mecca. Ela é um freak autêntica, sabia tudo de Disney. Uma menina super bacana, bem-humorada e usava um casaco vermelho que lembrava as meninas canadenses (heushues).

Foi uma aventura. Eu escrevi no papel todos os metrôs que eu deveria tomar. A última vez que fiz isso foi para comprar os ingressos do show da Alanis no Brasil. E tinha dado certo. Não poderia haver intempéries. Eu iria perder o primeiro ônibus para São Paulo não fosse a grata carona do mr. Antônio que me viu andando sozinho pela madruga e, por coincidência – ou não –, iria passar em frente à rodoviária. OoOh gente de coração! rsrs

Para mim tudo soou como sinal. Tudo deu certo até aqui e não sou uma pessoa de sorte. Acredito que quanto mais trabalho, mais sorte tenho...hehehe (nunca ganhei uma rifa). Mas enfim, os metrôs estavam lotados, era horário de trampo daquelas pessoas que pareciam apressadas. Outras liam livros, outras me olhavam como forasteiro, mas eu não tinha sotaque – só uma folha sulfite na mão e algumas dúvidas sobre onde descer.

Desta forma, assim, muito no improviso e na sorte, cheguei até a palestra. Muita gente bonita e bem vestida, gente até de social. Pensei que deveria ter ido de social. E aquela minha timidez ousada, aquela timidez que diz “se você vier falar comigo, eu falarei bastante contigo. Se não vier eu também não vou” tomou um pouco conta de mim. Mas foi muito passageira porque logo conheci Bárbara e pessoas de outros estados como o Sadia e foi fácil superar isso.

Vencido essa barreira, vieram as dúvidas quanto à entrevista, quanto ao meu inglês que é um pouco charlatanismo e talento de minha parte, pois nunca passei grandes períodos em escolas de idiomas. Apenas sempre gostei de estudar línguas. Mas eu disse: “Não posso repetir o resultado dos Youth Ambassators quando eu tinha 15 anos. Preciso provar que sou plenamente capaz, afinal, ninguém ali nasceu com dois cérebros”.

E desta forma me enchi de autoconfiança. Acredite, muitas vezes, a gente só tem a cara, nada mais. A gente não tem carro, não tem poupança, não tem nada para provar que somos bons: só a cara. E a cara é tudo que eu sempre tive, né? Por isso, nem fiquei inseguro, fui com muita coragem e cara. Acho que o resultado foi bom. Eu consegui transmitir o que eu pretendia, eu dei o meu melhor de forma transparente.

Mas foi tudo no escuro, vamos ver os resultados! Mas como eu disse, tem uma voz que canta bailando no ar, que traz certo frisson de realização. Esta voz diz que já era tempo de, com ou sem ironia, acertar o alvo e alcançar o sonho. Por que às vezes a gente está nu e o sonho é tudo o que nos reveste. E a realidade eu atinjo através dos sonhos. É assim que os sonhadores fazem, é assim que nós fazemos!

As dreamers do, we´re wishing upon the stars, we´ll get there, doesn´t matter what happen!

“Ain´t no mountain high enough
Ain´t no valley low enough
Ain´t no river wide enough
To keep me from Disney and make it come true, baby”.




Have a magical days!! All the very best!! Never stop to walk!!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Frisson de Nova Fase - Por D. Donson




“As cores tem um outro tom, os nomes e pronomes outro som. A sua presença é um dom revelando tudo que é bom”. Pego carona nesse verso do Kid Abelha para expressar esta nova fase de minha vida que, embora anônima, é tão divertida e cheia de novidades. Hehehehe.

Veja, é impressionante esta capacidade quase tecnológica que as pessoas têm de formatar sentimentos e começar tudo de novo, como se nada tivesse acontecido (hehehe). Isto é ótimo! Sabe porquê? Desta forma, cumprimos os conselhos do grande filósofo (risos) Clodovil Hernandez que disse uma vez que jamais deveríamos mendigar afeto a uma pessoa que nos despreze. Esta pessoa, segundo ele, deveria morrer para nós.

Além do mais, é tão bom se ver livre de uma velha roupa descolorida e desbotada, não é? O algodão novo, a dobradura impecável, o cheiro de alfazema de uma nova peça causa até uma melhora na autoestima. E essa estima deve ser sempre colocada em primeiro plano porquê importa muito pouco o que pensam sobre nós: mais importante é o que somos realmente.

E o que somos também é mistério para nós. Um doce mistério que vamos tentando viver sem entender – da melhor forma possível. Se acabar o mistério, acaba também a graça. É sempre muito complicado e muito diferente; além de ser um tremendo desafio costumizar a felicidade da maneira que achamos que ela tem que ser.

Talvez o segredo maior e inviolável de todas as pessoas é que elas não suportam a felicidade tradicional e pré-estabelecida. Cada um procura singularizar esta coisa a que chamam “felicidade”. Mais do que isso: cada um quer dar nova conotação ao ato quase involuntário que é ser feliz.

Estou sendo feliz neste instante porque me recuso a ser sempre triste. O momento seguinte, porém, é uma eterna inquietude descompromissada, uma vontade de mudar de caminho, um pouco de insatisfação consigo próprio e com os outros. Isso é sintoma de que sou humano: esta forte incapacidade de ser constante. Contudo, este momento é tudo o que me importa, embora eu espere e aposte muito em um futuro promissor e em uma vida que, acredito, será longuíssima e cheia de... Novidades.

No fim, se o mundo girar rápido demais e o tempo passar esfuziante, mais rápido e frenético do que já tem passado, tudo que eu peço é um local bem bonito... um lugar de repouso e conversação, com sombras refrescantes, árvores, muita gente alegre, sorridente – adoro gente boa reunida – e muita descontração. Quero um lugar onde eu possa ficar bem satisfeito com todo o amor que sinto, com todo o Deus que também sinto em mim, com todos os meus livros, discos, amigos e só isso. Nada mais. Hehehehe.

Let´s know what´s love!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Amizades Sinceras - Por D. Donson


Resolvi que falar é necessário. Melhor, externar é necessário. Faz dias que vem neveando algumas idéias na minha cabeça; elas estão lá, o tempo todo. Incansáveis. Estive pensando o que significa Amizade. Muito, muito complicado definir. Sei de uma coisa: poucos realmente são nossos amigos.

Pensei, pensei. Quem poderia me dar a mão no momento de sufoco? Quem confiaria em minha mão e a solicitaria em um momento de sufoco? Sobraram poucos dedos, sobrou menos de uma mão. Lembrei do que a Clarice disse no livro A paixão segundo GH: “A maioria das pessoas que gostam de nós quer que sejamos alguma coisa de que elas precisam”.


Não muita gente precisa de mim; eu também vivo bem embora precise de ajuda. Até minha referência maior de amizade ultimamente tem dado pisadas seqüenciais, atrozes – e eu tenho relevado em nome de alguma coisa chamada amizade. Imagino que amigo seja algo que vai muito além de alguém com quem compartilhamos nossas vivências e experiências. Alguém que chamamos parar rir, para se divertir e descontrair.

Amigo também segura nossa barra, divide as frustrações e, sobretudo, nos corrige ou tenta nos apontar o caminho. Amigo de risos eu dispenso. A não ser o efêmero momento do riso que é bom para todos. Mas a angústia, a angústia a gente acaba tendo que segurar sozinho e no escuro. E não estou inspirado para falar tudo quanto é necessário. Se eu falasse o que observo no comportamento das pessoas e, particularmente, no meu, o mundo se escandalizaria.

Preciso me controlar. Mas juro que o que eu realmente prezo é pela transparência. Odeio egocentrismo, pessoas que só falam de si, pessoas que não tem sensibilidade para enxergar o outro, pessoas bitoladas e alienadas em si mesmo e em suas vidas medíocres. A minha vida, hoje, está medíocre. Medíocre de pessoas, de lugares, de verdades. Medíocre de sonhos, de largueza e, sobretudo, de amor. Mas eu não sou medíocre.

Estou é tentando sobreviver neste emaranhado de sentimentos incertos e de pessoas ainda mais incertas. Mas conservo aquela velharia da infância, aquele bem-querer e aquela facilidade de apego. Isso talvez salve tudo. Estou buscando por um tempo que espero viver. Estou transformando minha realidade conforme o meu desejo de vida.

Estou customizando a vida, do meu modo. Me adequo aos outros? Não. Ninguém precisa me amar, não preciso amar ninguém. Esta é a verdade: me tratando bem já é suficiente. Mas sou tolerante... vou agüentando, até que em um momento quase normal do cotidiano a gente explode a abarca o mundo e as pessoas com ofensas e depois dizem: acalme-se, você está descontrolado. Em síntese, a busca continua: Procura-se uma amizade sincera!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Perdoando Deus - Clarice Lispector


Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade.


Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso “fosse mesmo” o que eu sentia - e não possivelmente um equívoco de sentimento - que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.
E foi quando quase pisei num enorme rato morto.


Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.


Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo.


Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva.


Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurava esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado poderia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais.


Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar - não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele - mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação.


… mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele.


É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo.


Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de “mundo” esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que “Deus” é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus.


Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.
Clarice Lispector em Felicidade Clandestina

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A Dengue como ela é - Por Daniel Donson


Hoje, pela primeira vez, vi o mosquito. Não um mosquito qualquer, mas o ilustríssimo Mosquito da Dengue. Ele repousava calmamente em um vaso de planta, em via pública. Parecia não se sentir incomodado com minha presença. Nem eu com a dele. Mas logo pensei: as pessoas afamam tão mal este mosquito, seria mesmo só culpa dele todo o dano que sua picada causa?


Por desconhecer as características científicas da doença, apelei para Deus, aquele que tudo sabe e que jamais criaria um serzinho de tamanha pequenez para dizimar a humanidade. Esta foi a explicação plausível e de pronto fui me simpatizando pela figura do mosquito. O fato é que todo mundo partirá um dia, e o mosquito, com ou sem ironia, apenas antecipa o nosso encontro com o Criador.


Por ser ele uma ponte entre o homem e Deus, não se poderia rebatizá-lo “Mosquitinho Divino”? Afinal, ele não é de todo perverso. Vergonhoso é o comportamento da sociedade que o trata como coisa abominável, traiçoeira e letal. E é mesmo. No entanto, a partir do momento em que temos tantas outras mazelas sociais, culturais e educacionais, Dengue se torna somente um subterfúgio grotesco que distrai a atenção da questão central.


A “questão central” é sempre muito ampla e plural. No Brasil, morre-se muito mais por bala perdida e homicídios e desnutrição e câncer e Aids do que por ação direta do seu Aedes. E Dengue é fruto de falta de formação, de instrução, de habitação digna. O mosquito não pede para nascer – simplesmente aprende a voar.


No fundo o Aedes queria ser parceiro e deixar de picar. Contudo, se isto acontecer, todos passarão a prestar atenção na verdadeira causa da Dengue, que faz parte da “questão central” que fundamenta as disparidades do País. A Dengue é a política e os governantes, a Dengue é a passividade e o egoísmo do povo, a Dengue é o dinheiro roubado e as vidas também roubadas. A Dengue é o mundo.

segunda-feira, 2 de março de 2009

A revolta de um porco pensante - Por D. Donson


Eu sempre fui um porco. Minha mãe, a porca, foi quem me deu a luz. O problema de ter nascido porco é que nunca pude dizer o que sinto para o bicho-homem. Ele pensa que não sei a diferença entre eu que sou porco e ele que é homem grande e que me supera. Claro que sei: bicho-homem fala e por falar demais acha que animal não entende.


No entanto, estou cansado de minha vida de porco. Sobretudo porque metade da minha família já seguiu para o abate e a mim soa solitário meus grunhidos ininteligíveis. Estou com muito medo e muita raiva. A vida toda fui vítima de abuso: só por nascer porco, não significa que gosto de sujeira e de fedor. Só por nascer porco, não sou obrigado a dividir meu alimento com gente que mal conheço. Só por nascer porco, não preciso ser porco literalmente. Céus... Também tenho minhas vaidades. Se bicho-homem não tem respeito pela pessoa de um porco, que dirá então de seus semelhantes?


Confesso que jamais fui com a cara do bicho-homem. Sempre tão arrogante, tão bruto e injusto... Não me lembro de ter visto ele tratar as vacas da mesma forma agressiva que me trata. E minha mãe? Deus a tenha. Foi traumático vê-la na mesa de Natal. Olha, eu vou te contar uma coisa, o bicho-homem é por demais falso. Não dá nada a ninguém – antes toma. E se ganho este monte de comida o dia inteiro, com certeza é porque meu lombo é atraente e saboroso. E me desculpe o desabafo. É que corro muitos perigos, como todo porco que vive e tem ciência de seus direitos.
Pela lei, posso viver até doze anos. É uma infâmia nascer para morrer antes do tempo.


Insisto na idéia de que nós, os porcos, não precisamos morrer tão jovens. Só o homem morre quando quer? É segredo nosso: quando nos matam antes do tempo, fazemos questão de duplicar o colesterol da carne, assim, não tarde, eles enfartam e conhecem o Deus que tudo fez. Outra coisa que discordo, é esta história de Deus deixar tudo na mão de homem, como se nós não pudéssemos cuidar de nossos focinhos.


Juro que tentei ser doméstico, simpático, dócil. Como recompensa, só levei traições e abusos por parte do bicho-maior, o ser excepcional, o ser humano. Eles fazem isto só conosco ou entre eles de maneira geral? Sim, porque entre porcos há união e quando um vai para o forno é tristeza geral. Tanto que quando minha mãe se foi não comemos por quase uma manhã inteira... Vez ou outra há festa na fazenda. É o momento de dura perseguição. Quando matador abre a cerca, não se vê uma viva alma no celeiro. Galinha que é esperta se esconde na palha. Eu tento não fazer barulho, como me ensinou minha mãe.


O fato é que todo mundo aqui está na revolta com esses humanos. Ser bicho não é mais como antigamente: agora eles comem até nossa cabeça. Venho por esta manifestar a insatisfação da classe dos animais. Podem entender como ameaça, esta é a intenção. Se as coisas não mudarem, vamos arrancar bicho-homem do topo da cadeia alimen... Dizia isto o porco quando chegou o tratador e o levou para o matadouro. Moral da história: em terra de homens, a opinião particular de um porco é inconstitucional.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

F.R.E.E.D.O.M. - Show Alanis Morissette 03/02


Os portões se abrem, a multidão frenética começa a invadir o hall de entrada do Via Funchal, em São Paulo - todos voam pelas escadas. Nos rostos desconhecidos, apenas a mesma preocupação extra-humana de pegar o melhor lugar do espetáculo. Sim, todos estavam prontos para receber a cantora canadense Alanis Morissette.


A fila, que começou nas primeiras horas da manhã da terça-feira (3), dia do show, ultrapassava vários quarteirões da capital paulista. Caravanas de diversas regiões do estado se antecipavam no horário para evitar contratempos. E, enquanto esperavam, os fãs, acompanhados apenas por violão, tocavam os grandes sucessos da cantora como Wake up, Ironic, Hand in my pocket e Heads over feets, entre outros.


Depois de muitas horas de espera, finalmente os fãs se depararam com Alanis que começou o show fora dos palcos, cantando atrás do cenário, provocando gritos de ansiedade e histeria. Com seus famosos giros de cabeça e rodopeios de corpo, Alanis deixou a platéia extasiada. A emoção da platéia impressionou a cantora que não teve chance de interpretar uma só música sem ser acompanhada pela multidão.


Em uníssono, a interação superou a casualidade de um show para se transformar num reconhecimento e numa legitimidade que de tão pessoais fizeram do encontro uma tácita afirmação: “Sim, Alanis, sabemos do que você fala. Estamos na sua!”. Assim, depois de uma apresentação cheia de energia e encanto, depois de contaminar a platéia com sua agonia e com sua indesistível força de vida, de repente Alanis despede-se do público com um aceno amistoso e corre rumo a escuridão.


O show havia acabado. Atônita, a platéia se recupera sentada no chão, buscando fôlego e coragem para deixar o ambiente. Alanis ainda reaparecerá no Brasil. Três apresentações estão marcadas para este mês, encerrando a turnê Brasil de seu novo álbum Flavors of Entanglenament: Florianópolis, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
"What goes around never comes around to you". I really love you, Mrs. Morissette*

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Carta de Fernanda Montenegro à Clarice Lispector - 1973





"Clarice,



É sempre com emoção que lhe escrevo pois tudo o que você propõe tem sempre essa explosão dolorosa. É uma angústia terrivelmente feminina, dolorosa, abafada, desesperada e guardada.

Ao ler meu nome escrito por você, recebi um choque não por vaidade mas por comunhão. Ando muito deprimida, o que não é comum. Atualmente em São Paulo se representa de arma no bolso. Polícia na porta dos teatros. Telefonemas ameaçam o terror para cada um de nós em nossas casas de gente de teatro. É o nosso mundo.

E o nosso mundo, Clarice?

Não este, pelas circunstâncias obrigatoriamente político, polêmico, contundente. Mas aquele mundo que nos fala Tchecov: onde repousaremos, onde nos descontrairemos? Ai, Clarice, a nossa geração não a verá. Quando eu tinha quinze anos pensava alucinadamente que minha geração desfaria o nó. Nossa geração falhou, numa melancolia de 'canção sem palavra', tão comum no século XIX. O amor no século XXI é a justiça social. E Cristo que nos entenda.

Estamos aprendendo a lição seguinte: amor é ter. Na miséria não está a salvação.

Quem não tem, não dá. Quem tem fome não tem dignidade (Brecht). Clarice, estou pedindo desculpas por esse palavratório todo. Mas deixe que eu mantenha com você esta sintonia dolorosa dos que percebem alguns mundos, não apenas este ou aquele, porém até mesmo aquele outro, embora não linearmente - como é o caso.

Nossa geração sofre da frustração do repouso. É isso, Clarice? A luta que fizermos, não faremos por nós. E temos uma pena enorme de nós por isso. É assim que explico pra mim frases que você põe no seu artigo: 'Eu que dei pra mentir. E com isso estou dizendo uma verdade. Mas mentir já não era sem tempo. Engano a quem devo enganar, e, como sei que estou enganando, digo por dentro verdades duras.' A luta, a que me refiro lá no alto, seria aquela luta bíblica, a grande luta, a que engloba tudo.

Voltando às 'verdades duras' de que você fala: na minha profissão o enganar é a minha verdade. É isso mesmo, Clarice, como profissão. Mas na minha intimidade toda particular, sinto, sem enganos, que nossa geração está começando a comungar com a barata. Nós sabemos o que significa esta comunhão, Clarice. Juro que não vou afastá-la de mim, a barata. Eu o farei. Preciso já organicamente fazê-lo. Dê-me a calma e a luz de um momento de repouso interior, só um momento.

Com intensa comoção,

Fernanda"