
Aprendendo a Viver - Clarice Lispector.







Composição: Alanis Morissette, em homenagem às vitimas do 11 de setembro
Disco: Under Rug Swept (2003)
Juntaríamos-nos todos em uma sala / We'd gather around all in a room
Afrouxaríamos nossos cintos / Fasten our belts engage in
Conversaríamos / Dialogue
Todos relaxariam / We'd all slow down
Descansaríamos sem culpa / Rest without guilt
Não mentir sem medo / Not lie without fear
Discordar sem julgamento / Disagree sans judgement
Nós ficaríamos / We would stay
E responderíamos / And respond
E expandiríamos / And expand
E incluiríamos /And include
E permitiríamos /And allow
E perdoaríamos /And forgive
E aproveitaríamos /And enjoy
E envolveríamos / And evolve
E discerniríamos /And discern
E inquiriríamos /And inquire
E aceitaríamos /And accept
E admitiríamos /And admit
E divulgaríamos / And divulge
E abriríamos /And open
E alcançaríamos / And reach out
E falaríamos /And speak up
Essa é Utopia, essa é minha Utopia. / This is utopia this is my utopia
Esse é meu ideal meu “in sight” final. / This is my ideal my end in sight
Utopia, essa é minha Utopia. / Utopia this is my utopia
Esse é meu nirvana./ This is my nirvana
Meu ultimato./ My ultimate
Abriríamos nossos braços / We'd open our arms
Nós todos pularíamos, nos deixaríamos cair / We'd all jump in we'd all coast down
Nas redes de segurança / Into safety nets
Nós dividiríamos / We would share
E ouviríamos / And listen
E apoiaríamos / And support
E acolheríamos / And welcome
Seriamos arrastados pela paixão / Be propelled by passion
Não investiríamos em resultados / Not invest in outcomes
Nós respiraríamos / We would breathe
E seriamos encantadores / And be charmed
E apreciaríamos a diferença / And amused by difference
Seriamos gentis / Be gentle
E aceitaríamos todas as emoções. / And make room for every emotion
Nós providenciaríamos discussões / We'd provide forums
Todos falaríamos / We'd all speak out
E todos seriamos ouvidos/ We'd all be heard
E nos sentiríamos notados. / We'd all feel seen
Nós levantaríamos após os obstáculos / We'd rise post-obstacle
mais definidos / More defined
mais gratos / More grateful
Nós nos curaríamos / We would heal
Seriamos humildes / Be humbled
E nada poderia nos parar / And be unstoppable
Seguraríamos forte / We'd hold close
E deixaríamos ir / And let go
E saberíamos quando fazer o que / And know when to do which
Nós libertaríamos / We'd release
E desarmaríamos / And disarm
E suportaríamos / And stand up
E sentiríamos seguros / And feel safe
Essa é Utopia, essa é minha Utopia. / This is utopia this is my utopia
Esse é meu ideal meu “in sight” final. / This is my ideal my end in sight
Utopia, essa é minha Utopia. / Utopia this is my utopia
Esse é meu nirvana./ This is my nirvana
Meu ultimato./ My ultimate

Só estou escrevendo para que eu possa esquecer o assunto. É, porque para mim também é importante falar. E também porque você é a pessoa que eu mais julgava sensata do grupo. O que ocorreu ontem, de modo nenhum me impressionou, embora eu tenha ficado chateado. Mas era de se esperar, era previsível. Jamais me faria de vítima, no entanto, neste caso, foi meio que injustiça.
Primeiro, porque meu desempenho no grupo foi igual ou melhor do que alguns integrantes falantes. Sempre falantes, sempre querendo demonstrar criticidade nos assuntos, mas quando é para trabalhar mesmo sempre procuram alguém ou alguma coisa que justifique a nota, ou as incompetências. Nada que possa comprometer a foto no final de tudo, porque, é fundamental mostrar ao mundo cada trabalhinho das crianças - recordação.
Segundo, achei, de modo geral, muito esclarecedora a atitude do grupo. Quando falo “grupo” estou sendo generoso e singelo. É que tem gente extremamente submissa que não se importa em trabalhar às sombras dos “líderes”, dos pretensos “jornalistas”, dos seres excepcionais que nasceram para brilhar. Talvez meu problema tenha sido este, não é? fui subversivo e acabei questionado demais.
E continuaria a questionar se continuasse. Não que eu seja um exímio profissional, tenho minhas falhas. Mas porque tenho plena consciência de que ninguém é melhor que ninguém. E, que, potencialmente, todos somos iguais. E eu é que sou antiprofissional? Ser excluído para não haver futuras discussões? Cadê os grilhões, a máscara de ferro?
Contudo, juro que estou bem mais aliviado em relação a algumas pessoas que tenho que conviver nesta graduação. Me considero mais maduro e muito mais apto para discordar. O bom do universo é que aquele papel, o diploma, não significa absolutamente nada, muito menos agora, não é? O bom do universo é que o mercado seleciona, como ouvi alguém dizer. E graças a Deus, já estou nesse mercado desde o primeiro mês que entrei neste curso.
Sintomático, não? Alguma capacitação e habilidade devo ter. Mas sabe, Lílian, continuo admirando seu talento e sua especial habilidade para lidar com pessoas. Eu me considero paciente, mas você me supera, indubitavelmente. Afinal, suportar uma conversa em que a pessoa fala apenas dela mesma é sempre um teste de nervos. De cada dez palavras, nove são sobre ela e a outra sobre algum evento da vida DELA. Esta jamais diz “como vai?”...hahaha. Desprezível. Falta alguma coisa essencial, falta uma certa sensibilidade que, thank God, não sou eu quem vai ensinar. A vida educa, thank God!
Acho que eles pensam que o mundo gira em torno deles. Que é o mundo precisa mudar e não eles. Que as pessoas são inadequadas ou displicentes e não correspondem ao nível deles. Eu rio disso. Especialmente destes que se acham a bolacha última do pacote, (inquisidores de professores), mas que quando escrevem demonstram tão pouco apreço ou intimidade pela língua. Eu adoro línguas, acho que elas abrem porta para evoluirmos enquanto pessoa – cidadania do mundo, sabe. E não existem sinônimos, cada palavra tem um significado único. Por isso estou sendo cuidadoso e selecionado aqueles que acho que remetem à semântica do meu pensamento.
Eu já li textos da menina e do menino. A menina tenta articular, mas peca muito na gramática. Fala muito de si mesma, como era de se esperar. As pessoas ridicularizam. Falta talvez um pouco de literatura universal, indicaria Franz Kafka. Porque se você produz algo que todos produzem, a oferta é maior do que a demanda e aí a volatilidade do mercado fala mais alto.
Já o menino é realmente amador. É arrogante tanto quanto e, por vezes, tenta mostrar humildade franciscana. Eu sou arrogante com gente arrogante. Eu só sou culpado por dar feed backs à altura. Mas o menino, tão cheio de opiniões, precisa de um reforço escolar, uma alfabetização de maior qualidade. É uma defasagem de anos, difícil querer ser bom do dia para noite. Experiência que quem já passou alguma dificuldade na vida e que só se apegou à escola e aos professores por não querer ficar em casa devido a abusos.
Não pense, porém, que pretendo com este e-mail me autoafirmar, ou ostentar qualquer coisa, ou me fazer de vítima. Eu só não poderia ficar quieto frente a uma atitude tão pueril e tão arbitrária quanto essa. Para o aspirante nível universitário que observo, tenho medo do futuro do Brasil. Gente que só pensa no seu nariz – medo. Olha que ontem eu falava com God e perguntava a melhor forma de me comportar em face da mediocridade de algumas pessoas.
Ele me disse, quase que pessoalmente, que eu deveria anotar o nome deles no meu caderninho do esquecimento. Disse ainda que seria salutar não me formar com eles, já que depois eu nunca mais veria se quer um virtual ‘como vai’. Disse ainda que era fundamental seguir meu caminho, em detrimento das adversidades e tentar tirar notas bem altas. Disse também que já conheci pessoas bem piores e que atitudes como esta, para eles, é natural.
É difícil se observar, pensar sobre si. É quase um dom. Portanto, não posso cobrar nada se o que eu vejo quase ninguém vê. Cansei de escrever e é inútil delongar. A melhor resposta não sou eu quem vai dar. Só escrevi para não esquecer de nada e sustento tudo isso. Thank God porque outros outubros virão, outras manhãs, plenas de sol e de luz. Estou ansioso por um tempo melhor do que o presente, onde as pessoas sejam pouco mais transparentes, mais solícitas, mais unidas. E amizade seja coisa mais comum de se achar.
P.S. não esquecer de tirar fotos nos próximos trabalhos.

Sobretudo um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento. Eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia, a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas, água pura submergindo a dúvida, a consciência.
Eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro! O que eu disser soará fatal e inteiro.
Não haverá nenhum espaço dentro de mim para eu saber que existe o tempo, os homens, as dimensões, não haverá nenhum espaço dentro de mim para notar sequer que estarei criando instante por instante, não instante por instante; sempre fundido, porque então viverei, só então serei maior que na infância, serei brutal e mal feita como uma pedra, serei leve e vaga como o que se sente e não se entende, me ultrapassarei em ondas.
Ah, Deus, e que tudo venha e caia sobre mim, até a compreensão de mim mesma em certos momentos brancos porque basta me cumprir e então nada impedirá o meu caminho até a morte sem medo. E de qualquer luta ou descanso me levantarei forte e bela como um cavalo novo.
Perto do Coração Selvagem (Clarice Lispector - 1946)


Querida S.E.A.,
A vida por aqui tem sido razoável. Você sabe que, embora tenhamos ocasião para nos falar pessoalmente, sempre fica faltando algo a ser dito. Nossas conversas vão bem além do cotidiano. Nossas conversas tratam de vida e de universo. Eu adoro nossas conversas! Quão vasto é o mundo e muitas vezes as pessoas apegam-se apenas ao lado superficial das coisas. E as pessoas, as pessoas andam tão confusas que parece um desafio até mesmo existencial viver em sociedade.
Querida S.E.A., não pretendo com esta carta dizer nada que faça muito sentido. Pelo contrário, apoiando-me nessa falta de nexo e de compreensão que muito me envolve é que decidi te escrever. E também não pretendo provar nada. Não quero assumir uma postura, você sabe. Me recuso a fazer uma escolha, não agora. Na verdade, no fundo a gente só está querendo provar para todos que não precisamos provar nada pra ninguém, não é? O que a gente quer é desabrochar de uma forma ou de outra.
Você sabe, S.E.A., abrir os olhos para o mundo é coisa vital para nós. Eu não suportaria nunca ser preso ou viver todos os meus dias neste mesmo lugar. Não que eu não ame as minhas raízes, não que eu não valorize cada centímetro destas paredes. Mas às vezes precisamos migrar, precisamos do calor de outros campos, precisamos do cheiro de terra fresca, precisamos do perigo que nos oferecem os nossos predadores. Porque sem eles, os predadores, jamais conheceríamos o tamanho e a extensão de nossas forças.
Sim, minha cara. Você, mais do que ninguém, sabe que o que eu falo não é o que eu falo e, sim, outra coisa. E estas palavras, na verdade, escondem outras. Mas você sempre foi boa e sensível para ler as entrelinhas, por isso, não me preocupo com outros possíveis leitores que eu jamais poderei supor. Eu realmente não sei porque, S.E.A., às vezes o que vemos quase ninguém vê. É sempre um jogo tão duro. É como estar ilhado, é como sentir solidão no meio dos outros, não é? Mas também não procuramos ninguém igual a nós. Estamos sendo tão tolerantes e tão compreensivos que até parecemos ingênuos embevecidos pelo delicado gosto da descoberta.
Eles confundem nossa tolerância. Confundem nossa simpatia com ingenuidade. Daí, quando mostramos que somos pensantes e, com ou sem humildade, cheio de opiniões, eles se assustam. Não sei porque escrevo. Acho que sobrei nesta noite e, pelo menos nesta noite, não há lugar confortável para mim. Mas olha, tenho andado com fé, viu? Os dias estão muito estranhos, tem noites que não durmo bem. Sinto gosto de uma nostalgia na boca, como saudade daquilo que a gente não viveu. É como se eu fosse bem mais velho. Tenho apenas 20, mas estou assustado. “Ontem de manhã, quando acordei, olhei para vida e me assustei: eu tenho mais de 20 anos”. Hehehe.
Ainda assim tenho andado com fé, como você me recomendou. Acho que é esse fogo, esta utopia, este total desprendimento que sinto pela idéia do fracasso que me motiva. Eu sinto que não seremos derrotados, tampouco irão abarcar nossas ideias. Sinto que não somos do tipo que se adequa ou se acomoda com o tempo. S.E.A., somos imparáveis! E é isso que vamos levar, ou que vai nos levar sempre adiante. A resposta é e sempre foi o nosso caminho. Continuemos, pois, a olhar para frente, para a natureza que sempre envia consolo, para Deus que nos dá esperança, para o outro que é fundamental para nos suportamos e, sobretudo, para nós. Tudo depende de nós. Andando com esta fé que jamais costuma “faiá”!!! De qualquer luta ou descanso, nos levantaremos fortes, ávidos, obstinados e belos como cavalos novos.
Cheers,
Dani







