quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Minha cor preferida - D. Donson

Se minha cor preferida é o preto,

Deve ser porque o azul sempre se escondeu de mim.

Se meus cabelos caem todo dia 11 de abril,

Deve ser porque a juventude nunca esteve a meu favor.

Se meu coração é um navegante solitário,

Deve ser por que as respostas que eu procuro, não estejam em terra firme.

E ainda que estivessem certamente elas fugiriam para as entranhas da terra.

Se meu corpo é a prisão de meus desejos e da minha alma indomável,

Por que será que eu o escondo sob estes trajes ridículos?

Se a droga da poesia não me aponta a solução,

Porque insisto em fazer dela minha única companhia?

O meu canto permanece ecoando pela casa vazia,

E meu quadro negro, permanece indecifrável e sem vida.

Seria esta a minha arte?

Usar uma única cor sobre a tela e ainda assim torná-la interessante?

Não. Preciso de outras cores, outros tons, outros pronomes, outros sons.

Onde encontrá-los? Estou perdido neste labirinto oculto, desconheço a saída.

Mas às vezes escuto vozes que vem lá de fora.

Então eu amo amar o que não compreendo. E compor com meu mísero vocabulário.

E ter fé do tamanho de um grão de mostarda, para continuar a sorrir. E sorrir. E sorrir.

Sendo que o saco de risadas que observo nos outros, é tão vazio quanto o meu.

Nada como o sol para me despertar e me fazer levantar.

Nunca se atrasa e não me deixa perder hora. Quer me levar para estrada.

Ele sabe que na minha idade só a velocidade anda junto a mim.

Piso bem fundo, esqueço do meu mundo, não posso voltar.