quarta-feira, 16 de junho de 2010

Traduzir-se - Ferreira Gullar.



Uma parte de mim
é todo mundo
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

2 comentários:

joyce domingos disse...

maravilha de poema...me identifico demais com ele...amei tê-lo lido aqui meu querido...


saudade de vc

bj

@try_ellen disse...

ah crianças, que saudade !
por favor me fala que a tortura faculdade irá acabar rs

pois não aguento mais esses julgamentos malditos,rs!
ameii o poema, tão me meu rs

beijus !