
Fico impressionado com a superficilidade de alguns faggies.Especialmente os bonitos num primeiro momento (!?). Ficam tão deslumbrados com o pseudo-mundo de "coisas". Não que as "coisas" não sejam boas e importantes, mas elas não são suficientes.



Queria tanto encontrar um meio de enlouquecer. Preciso muito dar um destino para minha loucura guardada. 




É primavera. Não sei por que, mas a primavera me dá coisas. Começando por uma sensação de estranha mobilidade, uma sensação que faz com que eu repense a minha vida atual. Talvez seja o chão carregado de flores pisadas, mas com o perfume ainda fresco. Talvez seja o reflexo de luz por entre as árvores que me recosto. Eu adoro o vai e vem das folhas o meu quintal.
Por instantes, penso que sei do universo. Não digo que conheço o universo, mas sei sem saber que a vida está se refazendo, organicamente. É quando também volto à terra, humilde, cansado e desvanecido. Sim, porque também preciso me refazer e buscar forças outras pra encarar a vida de frente e encarar a minha verdade de frente.
A minha verdade nunca me agradou. E se há alguma coisa que me incomoda em ser gente (ou aspirar em ser humano) é o fato de que jamais alcanço minhas raízes. Eu quero dizer que, por vezes, não me sinto parte de nada. E vivo procurando uma forma telepática de me encontrar.
Mas há tanto que já me perdi que temo em achar-me tarde demais. Temo em tomar gosto pelo abismo, pelo ato de se perder, pois perder-se é um achar-se muito perigoso.
Sinto, nesta primavera, que é hora de retornar à terra se eu quiser continuar vivendo. O mundo é um emaranhado de opiniões sobre ele. E ninguém sabe de nada, ninguém tem tempo de saber.
Dias destes acordei triste. Fazia um sol como no inferno e há dias não chovia. Tive por um momento a sensação de estar sob forte pressão na terra dos homens. Tive a sensação de que eu não me enquadro em perfil algum e que, mesmo assim, minhas atitudes estavam me levando para um quarto escuro.
Neste quarto escuro, eu podia ouvir ao longe gritos e revoltas. Mas o pior de tudo é que eu havia perdido o direito de também gritar, eu era mudo, eu existia simbolicamente. Eu estava como as folhas caídas do meu quintal, sendo pisadas voluntariamente por seres bem maiores do que elas.
Então, resolvi parar de lutar, me deixei ser pisado. As pessoas que andam sobre o mundo esperam uma oportunidade para acusar um criminoso. Cometi muitos erros na minha ânsia de ver todas as coisas como elas realmente são e isto me levou para o quarto escuro de que falei. Porque ainda que eu tenha a razão, se eu falasse, eu seria arrastado.
Falta-me o direito de denunciar, pois eu também faço parte deste grande círculo de erros e acertos. Mas quanto ao crime, uma bala só é suficiente para matar um facínora. As demais balas se resumem em vontade de matar, em prepotência de quem atira – e este se torna criminoso de igual modo.
A justiça, meu amor, a justiça é algo que é sempre praticado de forma equivocada. Pois dentro de todo homem justo há um facínora em potencial - nada do que é humano me é estranho. Para me livrar de todas as vibrações que criei, preciso de reciclagem, porque eu tenho os meus lobos. E não quero ser insensível à dor alheia, não quero ser o que eu fui um dia. Terei que sair pela por dos fundos para me salvar de mim mesmo. E como a primavera, terei que me deixar cortar para só assim voltar mais forte ano que vem.



Não é a toa que entendo quem jamais dispensa uma balada. Quem não conhece a vida noturna de certos clubes e bares, não entenderá o que irei falar. Começamos, pois, pela liberdade que a noite promete. Do momento em que saímos do banho e nos arrumamos, até as luzes caleidoscópicas da pista de dança: com bons amigos ao lado, pelo menos a diversão é garantida.
Cada pessoa tem um estereótipo físico do que deseja encontrar nessa longuíssima noite. A moda também se faz presente, grandes estilistas, brands: Gucci, Fendi, Prada, Valentino, Armani, Calvin...hehehe. O que todos nós - os que freqüentam estes locais - já aprendemos é que algumas destas noites escondem grandes surpresas. Boas ou más, elas quebram com a maldição do cotidiano e da trivialidade de tarefas repetitivas e fuckin cansativas. Talvez este seja o grande segredo: a quebra, a ruptura, a novidade.
Também devo salientar que em tais locais algumas pessoas se tornam irreconhecíveis. Isso porque estão sendo, por uma noite, livres – coisa que assunta. Portanto, elas fazem coisas que jamais caberiam no seu dia-a-dia, no mundo real que envolve a todos nós. Estou tentando falar de algo que é pungente dentro do ser humano, mas não quero dar um tom didático, pois não tenho nada a ensinar.
Ocorre que algumas noites podem se tornar odisséias de grandes romances ou aventuras. Há quem jure que viveu um autêntico relacionamento numa única noite. Há também aqueles que optam por beijar 15155148886313 de bocas, ainda que no dia seguinte não se lembrem do rosto de ninguém. Há ainda aqueles que, como eu, entram com o pé esquerdo na grande festa (porém, muito alinhado, obrigado) e sem grandes expectativas, apenas o compromisso de celebrar um momento de... de liberdade.
No entanto, me parece que a falta de pretensão dá ocasião à surpresa. Justo eu que, dos meus três amigos, sou o menos baladeiro. Pois depois de insistentes ligações resolvi conhecer certos novos clubes em outra cidade. Tive grandes descobertas das quais pouco irei falar, pois o dia já amanheceu e nunca consegui na vida lidar com os restos do carnaval.
Com isso, quero dizer que não sei o que foi real, já que tudo que se vive lá parece desaparecer com a luz do dia. Me lembro bem da sexta-feira FREAK, todas as músicas que eu amo foram tocadas: Cold, Avril, Alanis, Oasis e até Elis Regina. O sábado eu guardo comigo, mesmo sob o efeito duas doses de Jack...hehehe – o sábado é meu.
Esqueci o que eu pretendia com este post, vou parar um pouco para um café, já são 2h da manhã e o mundo descansa, menos eu que tenho insônia. Voltei. Lembrei: a noite também pode ser mágica, como se uma fada me dissesse: “Apenas por esta noite, você terá o que você quiser. Quando sol aparecer você precisa estar longe daqui”...hehe. Gostaria de dizer que... que aceitei as condições. Mesmo sabendo que brinquei de bola sem bola e que numa noite como estas, a única garantia é a deliciosa vertigem do momento.
Espero ter sido menos melancólico que o usual, afinal, não estou triste hoje, só um pouco cansado. Talvez sábado eu aceite novamente as condições e esta fada anônima me faça o favor de repetir meu desejo...hehehe. Eu acho que devo ser alguém especial: se eu não existisse, a Disney me inventaria...hehehe. Acho melhor ir dormir, XOXO.




